Carros elétricos desafiam condomínios no ES

Os carros elétricos já pressionam a gestão dos condomínios no ES. Veja cuidados com rede elétrica, segurança, custos e regras de recarga nos prédios.

O avanço dos carros elétricos já chegou aos condomínios doEspírito Santo. O Estado ultrapassou 496 pontos de recarga públicos e semipúblicos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), e está em sexto lugar no país em buscas pelo termo “eletroposto”, de acordo com a Descarbonize Soluções.

Com isso, síndicos e administradoras precisam lidar com questões como capacidade da rede elétrica, segurança contra incêndio, medição do consumo e regras para instalação dos carregadores.

“O carro elétrico deixa de ser apenas uma questão individual do morador e passa a ser também uma questão de infraestrutura condominial. O síndico, junto a administradora do condomínio, precisam começar a olhar para capacidade elétrica, segurança contra incêndio, medição do consumo, responsabilidade pela instalação e regras de utilização”, explica a coordenadora da Câmara Temática de Gestão Condominial do CRA-ES, administradora Fabiana Monteiro, também diretora da M&M Gestão condominial.

Instalação exige avaliação

A legislação estadual garante ao condômino o direito de instalar uma estação de recarga individual em sua vaga privativa, às suas expensas, desde que sejam respeitadas as normas técnicas e de segurança.

O condomínio, porém, deve exigir documentação técnica, profissional habilitado, ART ou RRT, compatibilidade com a instalação elétrica e atendimento às normas da distribuidora e da ABNT. Também precisam ser avaliados o trajeto dos cabos, áreas comuns e a medição do consumo.

“O condomínio pode, e deve, questionar uma instalação que apresente incompatibilidade elétrica, risco à segurança, descumprimento das normas da distribuidora ou da ABNT, ausência de profissional habilitado ou qualquer outra irregularidade técnica devidamente fundamentada”, afirma Fabiana.

O tema também passou a contar com regras específicas do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES). A NT 23/2026 estabelece parâmetros de segurança contra incêndio e pânico para garagens com sistemas de recarga de veículos elétricos (SAVE).

Prédios antigos preocupam

Nos edifícios mais antigos, a avaliação precisa incluir entrada de energia, quadros elétricos, prumadas, cabos, proteções, aterramento e a demanda já utilizada pelo condomínio. A garagem também deve ser analisada, considerando o trajeto dos cabos e possíveis intervenções em áreas comuns.

“Prédio antigo não deve improvisar. Primeiro se faz o diagnóstico elétrico e de segurança; depois se define a solução”, orienta Fabiana.

Outro desafio é a possibilidade de vários veículos serem carregados simultaneamente. Por isso, o condomínio deve considerar a demanda atual e projetar o crescimento futuro. Uma alternativa é o gerenciamento inteligente de carga, que distribui a potência disponível entre os veículos e evita que todos os carregadores funcionem na potência máxima ao mesmo tempo.

Regras evitam conflitos

A instalação individual e o consumo de energia são de responsabilidade do condômino. Já uma eventual obra de infraestrutura coletiva deve ser analisada conforme sua natureza, extensão e os moradores beneficiados.

Para organizar a recarga, Fabiana recomenda uma política interna incorporada ao Regimento Interno, com regras sobre documentação, equipamentos, manutenção, medição e cobrança do consumo, uso das vagas, compartilhamento e procedimentos em caso de falha ou emergência.

“O mais importante é que a regra seja técnica, transparente e igual para todos. O condomínio não deve criar uma regra para o primeiro morador e outra para os demais”, afirma.

Preparação deve começar agora

Para Fabiana, os condomínios capixabas vivem uma fase de transição, com a demanda avançando mais rapidamente do que a adaptação de muitos empreendimentos, principalmente os mais antigos.

A recomendação é não esperar o primeiro pedido para agir. O síndico deve avaliar a infraestrutura elétrica, buscar orientação de um engenheiro eletricista e estabelecer critérios para futuras instalações.

“O condomínio que se prepara antecipadamente consegue fazer uma única avaliação técnica, estabelecer um padrão e evitar que cada novo pedido vire uma discussão diferente”, diz.

A administradora resume o desafio: conciliar o direito individual do morador com a segurança e a infraestrutura coletiva. “Precisamos entender e gerenciar o fato de que o carro elétrico é do morador, mas a infraestrutura é uma questão do condomínio.”

Fonte: ES BRASIL
Por Thamiris Guidoni

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