Moradores em risco nos edifícios

Reportagem especial produzida pelo jornalista Waldir Moura e publicada hoje no jornal A Tribuna mostra a nova realidade que chega aos condomínios: a portaria virtual. A reportagem contou com a participação da gerente da M&M Gestão Condominial, Juliana Monteiro, e do nosso diretor, Cyro Bach Monteiro.

A Tribuna – 28 de dezembro de 2015 – Página 02

A Tribuna – 28 de dezembro de 2015 – Página 03

Troca de porteiros por sistemas eletrônicos devido à crise afeta a segurança de quem mora em prédios e não inibe ação de bandidos.

A crise econômica e o alto índice de inadimplência dos condôminos têm levado síndicos e administradoras de condomínios a substituírem os postos de portaria nos prédios por porteiros eletrônicos e sistemas de segurança informatizados.

Alguns afirmam que os gastos com funcionários chegam a consumir até 70% da receita bruta dos condomínios e que não podem abrir mão de pagar despesas básicas, como as contas de água, gás e energia elétrica. Em uma tentativa de cortar os gastos e manter as contas em dia, a onda de demissão atingiu os profissionais da portaria, que estão sendo substituídos por portarias eletrônicas e sistemas informatizados, controlados por empresas que estão a quilômetros de distância.

Sem a presença humana no controle de acesso de quem entra e sai do prédio, a segurança dos moradores fica comprometida. “Você perde a capacidade pessoal de coibir a ação criminosa, o que inibe o ladrão é o fator humano. Quem chama a polícia é o porteiro. Ele, quando bem treinado, é uma peça fundamental e imprescindível”, disse o especialista em Segurança Pública e Privada Alexandre Domingos.

O especialista afirmou que o controle de acesso de pessoas é o ponto mais importante para preservar a segurança de moradores. “Sem o porteiro, o criminoso fica muito mais à vontade para agir, eu não vejo como vantagem substituí-lo. A única vantagem são os custos, pela questão de economia com encargos trabalhistas, mas a segurança dos moradores tem que ser prioridade”, afirmou. E completou: “O ideal é uma integração entre o homem e os sistemas eletrônicos. Os recursos estão aí para ajudar o trabalho do porteiro e não para substituí-lo”.

Cada condomínio possui um estatuto específico de segurança, de acordo com normas e regras estabelecidas em assembleia. Em alguns casos, a negligência dos próprios moradores, coloca a segurança de todos em risco.

A porteira de um condomínio em Itapoã, Vila Velha, Marinalva de Oliveira, 27 anos, coordena a guarita de uma área com 57 prédios e mais de 600 moradores. Ela investiu em curso de capacitação e está com medo de ser demitida. “Com essa crise, o impacto e os riscos são grandes”, disse.

Administradores afirmam que mudança deve ser planejada

Para os administradores de condomínios é necessário ter cautela antes de substituir um profissional de portaria por um sistema eletrônico, porque é uma mudança sem volta por conta do alto investimento.

É necessário avaliar o impacto dos custos gerados pelo investimento em equipamentos eletrônicos e demissões dos funcionários, o local onde está localizado o condomínio e até mesmo a faixa etária dos moradores do prédio.

A gerente da M&M Gestão Condominial, Juliana Monteiro, afirmou que três condomínios administrados pela empresa adotaram sistema de portaria eletrônica. “Estamos vivenciando experiências. Quando o condomínio se programa e faz uma reeducação com o morador, dá certo. É uma mudança gradual é válida para condomínios pequenos”, disse.

E completou: “É necessário que o morador tenha atenção ao fechamento do portão, abri-lo apenas para visitas que se identificarem previamente e não dar livre acesso aos prestadores de serviços”.

ANÁLISE

Cyro Bach Monteiro – diretor da M&M Gestão Condominial e presidente do SIPCES

“É preciso avaliar o custo-benefício”

“A crise afeta a segurança nos condomínios, na medida em que muitos síndicos estão tomando providências no sentido de substituir o serviço de portaria. Para implantar a portaria virtual você precisa fazer alguns investimentos. Alarme, circuito fechado de TV, contratar uma empresa para prestar serviço de abertura e identificação de visitantes. Quanto mais de ponta os equipamentos, maior é o custo. É preciso ser feita uma avaliação da relação custo-benefício, e se o condomínio não estiver disposto a fazer esse investimento, torna-se um risco para a segurança dos moradores. Deve ser uma medida decidida em assembleia, em que todos possam opinar. A manutenção desse tipo de equipamento é dei baixo custo, mas o investimento inicial é alto e temo custo da rescisão de contratos dos funcionários, que é alto. Depois, não dá para voltar atrás”.

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